O que eu achava vs. o que sei hoje
Durante anos achei que birra era falta de limites. Que um filho parado no sofá precisava só de ser mais estimulado. Que se todos tivessem a mesma rotina, todos se dariam bem com ela.
Lembro-me de orientar os meus filhos sempre da mesma maneira; e de um obedecer à primeira, enquanto o outro inventava sempre mais uma coisa para fazer antes de fazer o que lhe tinha pedido.
Lembro-me de, às vezes, mudar a rotina com uma novidade, uma atividade diferente; e de um filho reagir muito bem, e outro ficar reticente, irritadiço, como se lhe tivessem tirado o chão.
Lembro-me de abraçar os meus filhos, de os encher de beijos; e de uns ainda pedirem mais, e outros, a certa altura, se afastarem com um "já chega, está bom assim".
Lembro-me, também, do dia em que isso mudou.
Foi no meio de tantas leituras, tantas palestras, tanta ânsia de aplicar em casa tudo o que ia aprendendo, que percebi que nada disso ia funcionar enquanto eu continuasse a olhar para os meus filhos todos da mesma forma. Cada um deles é uma unidade inteira, única e complexa com corpo, mente e espírito.
Hoje sei que cada filho tem necessidades diferentes, capacidades diferentes, desafios diferentes dos dos irmãos. E que crescer, para cada um, pede um olhar que veja essas diferenças e que não recorra a uma fórmula igual para todos.
Isto foi algo que só consegui ver depois de parar de tentar corrigir de forma "mecânica", e começar a tentar compreender.



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