Filhos Adolescentes: Da Frustração à Resiliência


Há uns dias, uma mãe dizia-me, com alguma frustração: “Eu não sei o que fazer. A minha filha vai abaixo por tudo e por nada. Não se pode dizer nada que leva tudo a peito. No meu tempo não era assim.”

Fiquei com este desabafo na memória.

Muitos são os pais sentem isto. Há uma perceção crescente de que os adolescentes hoje são mais sensíveis, mais reativos, mais frágeis perante pequenas frustrações do dia a dia.

Mas talvez a questão não seja exatamente essa.

Talvez não seja uma questão de sentir demais. Talvez “apenas” não saibam o que fazer com aquilo que sentem. E isto muda completamente a forma como olhamos para o problema.

Hoje, os adolescentes crescem num contexto muito diferente. São mais estimulados, mais protegidos, mais acompanhados. Ao mesmo tempo, vivem num ambiente de comparação constante, onde tudo parece imediato e amplificado. Sentem muito, pensam muito, expõem-se mais. Mas nem sempre têm espaço (ou orientação) para aprender a lidar com o desconforto.

E é aqui que começa a dificuldade.

A frustração faz parte da vida. Sempre fez. A diferença é que, muitas vezes, hoje ela é evitada, antecipada ou rapidamente resolvida pelos adultos. Não por falta de cuidado, mas exatamente pelo contrário. Porque queremos poupar, proteger, ajudar.

Só que, sem darmos por isso, vamos retirando oportunidades fundamentais de aprendizagem.

Aprender a esperar.

Aprender a lidar com um “não”.

Aprender que nem tudo corre como queremos.

Aprender a levantar-se depois de um falhanço.

Estas experiências não são apenas momentos difíceis. São treinos emocionais.

Quando não existem, ou quando são constantemente suavizadas, o que vemos mais tarde são adolescentes que sentem muito… mas não sabem sustentar esse desconforto. E então evitam, reagem em excesso ou vão abaixo com mais facilidade.

É importante dizer isto de forma clara: sensibilidade não é um problema.

Aliás, pode ser uma enorme força. Um adolescente sensível pode ser mais empático, mais consciente, mais atento ao outro.

Mas, sem estrutura, sem orientação, sem limites, essa sensibilidade pode transformar-se em fragilidade.

E é aqui que entra o nosso papel. Não para endurecer os nossos filhos. Mas para os preparar. Porque o objetivo não é que nunca se sintam mal. Isso é impossível. O objetivo é que saibam o que fazer quando se sentem mal.

Na prática, isto começa em pequenas coisas.

Começa quando não resolvemos tudo por eles. Quando deixamos que lidem com uma dificuldade, mesmo que isso implique algum desconforto. Começa quando não evitamos todas as frustrações, mas estamos presentes para ajudar a dar sentido ao que estão a viver.

Começa também quando não ficamos apenas na validação emocional. Sim, é importante que sintam que são ouvidos. Mas não chega. Precisam de aprender a avançar depois de sentir. Precisam de perceber que uma emoção não define uma decisão.

Outro ponto essencial é a responsabilidade. À medida que crescem, precisam de sentir que são capazes, que conseguem, que têm impacto. Isso constrói segurança. E a segurança ajuda a lidar melhor com o que não corre como esperavam.

E, talvez um dos pontos mais desafiantes para muitos pais, é encontrar o equilíbrio entre acolher e desafiar. Entre estar presente e não sobreproteger. Entre compreender… e, ao mesmo tempo, não retirar todas as dificuldades do caminho.

Não há uma fórmula perfeita. Mas há um caminho mais consciente.

Se há coisa que vejo muitas vezes é pais que querem fazer melhor, mas que se sentem perdidos neste equilíbrio. Que não sabem até que ponto devem intervir, exigir, proteger ou deixar ir. E isso é compreensível.

Educar para a resiliência não é ser duro. Mas também não é evitar tudo o que custa. É preparar, aos poucos, para a vida real.

Se sentes que este é um desafio aí em casa, talvez não te falte intenção. Talvez te falte clareza sobre como agir em cada situação concreta. Na Sessão Zero gratuita, olhamos exatamente para isso. Para a tua realidade, para a dinâmica com o teu filho e para a forma como podes ajudá-lo a desenvolver mais segurança e capacidade de lidar com a frustração, sem perder a ligação.

Porque no meio de tudo isto, há uma coisa que não podemos esquecer: Não estamos só a gerir o presente. Estamos a formar o modo como eles vão lidar com a vida.

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