Quando falamos… mas não nos entendemos
Já alguma vez
saíste de uma conversa com o teu filho a pensar que tinhas sido completamente
clara e ele agiu como se não tivesse ouvido nada?
Ou sentiste que
estavam a falar sobre a mesma coisa, mas a partir de mundos completamente
diferentes?
Este tipo de
situações acontece nas melhores famílias, com as mães mais presentes e mais
intencionais.
E o motivo é
simples… comunicar é muito mais difícil do que parece.
Comunicar
não é só falar
Há uma ideia
que parece óbvia, mas que muitas vezes não colocamos em prática: comunicar não
é só transmitir uma mensagem. É, também, garantir que ela foi recebida e
compreendida por quem está do outro lado.
E isso implica
muito mais do que escolher as palavras certas.
Implica saber
verbalizar o que sentimos, em vez de esperar que o outro adivinhe.
Implica saber
ouvir de verdade, não só para responder, mas, acima de tudo, para compreender.
Implica estar
presente na conversa, não apenas fisicamente, mas com atenção real ao que está
a ser dito.
E implica,
acima de tudo, questionar uma suposição que fazemos constantemente sem nos
apercebermos: Que o outro vê, sente e interpreta as coisas da mesma forma
que nós.
O erro que
está na base de quase todos os mal-entendidos
Partimos do
princípio!
Partimos do
princípio que, o que é óbvio para nós, é óbvio para eles. Que o que nos parece
simples também lhes parece simples. Que a forma como sentimos uma situação é a
forma como eles a sentem.
E quando a
realidade não confirma essa suposição, tendemos a interpretar, em vez de
perguntar.
"Ele
está a fazer isto para me chatear."
"Ela
sabe perfeitamente o que está a fazer."
"Já lhe
expliquei mil vezes, não pode não perceber."
Mas… e se ele
não estiver a fazer isso para te chatear?
E se ela
genuinamente não souber?
E se o problema
não for a explicação, mas a forma como está a ser dada?
Na educação,
esta tendência para interpretar em vez de procurar compreender tem um impacto
enorme. Porque os nossos filhos não são versões pequenas de nós. Têm um
temperamento próprio, uma forma única de processar a realidade, e uma
maturidade que está ainda em desenvolvimento.
O que para nós
é uma instrução simples, para uma criança de 4 anos pode ser informação a mais
para processar de uma vez. O que para nós parece uma reação desproporcional,
para um filho melancólico é uma resposta completamente coerente com a forma
como sente o mundo. O que interpretamos como teimosia pode ser, na verdade, uma
necessidade de sentir que tem voz.
"Quando
ficamos na interpretação, respondemos ao comportamento. Quando procuramos
compreender, chegamos à pessoa."
A
comunicação também precisa de crescer com eles
Há outro
desafio que muitas mães não antecipam: a forma como comunicamos com os nossos
filhos não pode ser a mesma aos 3, aos 8 e aos 14 anos.
O que funciona
numa fase deixa de funcionar noutra. A criança que antes aceitava uma
explicação simples começa a precisar de argumentos. O adolescente começa a
precisar de espaço e de sentir que não vai ser julgado antes de falar.
Acompanhar este
crescimento na comunicação é um exercício contínuo de observação e de ajuste.
Não há fórmula. Há atenção. E acima de tudo, é necessário que haja relação e
conexão.
E os ecrãs?
Não podemos
falar de comunicação familiar sem falar deles.
Os ecrãs ocupam
cada vez mais o espaço onde a comunicação real acontecia. O jantar em família.
A viagem de carro. Os minutos antes de dormir.
São exatamente
esses momentos, aparentemente insignificantes, que constroem a confiança e a
proximidade que tornam a comunicação possível. Quando perdemos os nossos filhos
para os ecrãs, perdemos mais do que tempo. Perdemos oportunidades de conexão.
Comunicar
melhor não exige perfeição. Exige intenção.
Exige a
disposição para perguntar em vez de assumir. Para ouvir em vez de interpretar.
Para te colocares genuinamente no lugar do teu filho, não para concordar com
tudo, mas para o compreenderes.
É um caminho. E
como todos os caminhos, começa com um passo.
O primeiro pode
ser tão simples como uma pergunta diferente no final do dia.
Não "como
foi a escola?"
Mas "o
que foi mais difícil/incrível/intenso/entusiasmante hoje para ti?"
Se sentes
que a comunicação em casa pode melhorar e que isso iria mudar muita coisa na
tua relação com os teus filhos, estou aqui para te acompanhar nesse caminho.



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