8 Hábitos que me ajudam a fortalecer a relação com os meus filhos



Ninguém me ensinou a ser mãe.

Como a maioria de nós, aprendi fazendo. Errando, ajustando e observando o impacto que as minhas escolhas tinham na relação com cada um dos meus filhos.

Com o tempo, fui percebendo que a qualidade da relação que tenho com eles não depende dos grandes momentos. Depende do que faço, ou deixo de fazer, todos os dias. Dos momentos pequenos, aparentemente insignificantes, que se vão acumulando e que constroem, ou enfraquecem, a confiança entre nós.

Hoje partilho contigo 8 hábitos concretos que pratico e que têm feito toda a diferença.


1. Não uso o telemóvel quando estou com eles

Este foi provavelmente o hábito mais difícil de criar e o que mais impacto visível teve.

Não que o telemóvel seja o inimigo. Mas os meus filhos não leem a minha intenção, leem a minha presença. E quando estou fisicamente presente mas mentalmente noutro sítio, a mensagem que recebem não é "a minha mãe está ocupada", é "o que eu tenho para dizer não é assim tão importante."

Quando guardo o telemóvel e estou verdadeiramente ali, algo muda. Eles falam mais. Partilham mais. Ficam mais tranquilos. E isto acontece porque sentem que têm a minha atenção, e não apenas o que sobra dela.

A presença real, mesmo que por pouco tempo, vale sempre mais do que presença "artificial" por muito tempo.


2. Peço desculpa quando erro

Durante algum tempo achei que pedir desculpa aos meus filhos fragilizava a minha autoridade. Mas aprendi que é exatamente o contrário.

Quando erro, quando perco a paciência, quando reajo de forma desproporcional, quando tomo uma decisão injusta e reconheço isso em voz alta, estou a ensinar-lhes algo que nenhum livro consegue transmitir: que assumir os erros é um ato de coragem, não de fraqueza. E estou a mostrar-lhes que termos uma boa relação é mais importante do que ter razão.

Cada vez que peço desculpa, a confiança entre nós cresce, porque eles percebem que podem contar comigo, mesmo quando falho.


3. Falo com eles sobre o bem que fazem aos outros e saliento as suas qualidades

Há uma tendência natural para corrigir o que está errado. É importante, faz parte de educar. Mas descobri que nomear o bem tem um poder enorme.

Quando digo ao meu filho "reparei que hoje foste muito paciente com o teu irmão" ou "a forma como ajudaste aquela pessoa foi muito bonita", estou a fazer muito mais do que elogiar. Estou a ajudá-lo a construir uma imagem positiva de si próprio. Estou a mostrar-lhe que o vejo, não só quando erra, mas quando brilha. E um filho que se sente visto nas suas qualidades, tem muito mais abertura para receber a orientação quando precisa de melhorar.


4. Não falo mal deles nem exponho a sua vida privada

Este é um hábito que assumo com muita convicção.

Os meus filhos confiam em mim o que sentem, o que vivem, os seus medos e as suas alegrias. Essa confiança é fundamental.

Quando falamos mal dos nossos filhos a outros, mesmo com humor, mesmo em contextos informais, eles sentem. E aprendem que não é seguro partilhar connosco. Aprendem que o que nos contam pode ser usado contra eles, ou tornado público.

Proteger a privacidade dos meus filhos é uma forma de lhes dizer: o que partilhas comigo fica entre nós. Podes confiar em mim.

E essa confiança é a base de tudo o resto.


5. Passo tempo de qualidade com cada um

Ter três filhos ensinou-me que tempo de qualidade não é o mesmo que tempo em conjunto.

Cada filho precisa de sentir que tem um espaço só seu, um momento em que não está a competir pela minha atenção com os irmãos, com o telemóvel, com a lista de coisas para fazer.

Por isso procuro criar momentos individuais com cada um. Pode ser uma conversa a dois no carro. Pode ser ajudar-me a preparar o jantar. Pode ser sentar ao lado dele enquanto faz os trabalhos de casa, sem agenda, só presente.

Nesses momentos, escuto mais do que falo. Entro no mundo de cada um. E é nesses momentos que mais partilham. E isto não acontece porque lhes pergunto, mas porque se sentem seguros para o fazer.


6. Pergunto-lhes a opinião e envolvo-os nas decisões da família

Desde cedo percebi que quando os meus filhos sentem que têm voz, a sua postura muda completamente.

Não se trata de lhes dar poder de decisão sobre tudo. Os pais somos nós e somos nós que orientamos a família. Mas perguntar "o que achas?", "tens alguma ideia?", "como preferes fazer isto?" transmite algo muito importante. Que a sua opinião importa, que faz parte desta família, que a sua voz conta.

E um filho que se sente parte da família, e não apenas sujeito às suas regras, tem muito mais facilidade em colaborar, em respeitar e em pertencer. 


7. Digo-lhes que os amo

Pode parecer óbvio. Mas aprendi que as palavras são importantes. Que ouvir "eu amo-te", sem ser numa data especial, sem ser depois de uma conquista, só porque sim, só porque são eles, tem um impacto profundo na forma como uma criança se sente segura no mundo.

Digo-lhes que os amo. Regularmente. Sem razão especial.

Porque o amor não precisa de ser merecido para ser dito!


8. Celebro as conquistas

Numa cultura que valoriza muito os resultados, aprendi a celebrar o caminho.

Quando o meu filho tenta algo difícil, merece ser reconhecido por isso, mesmo que não consiga. Quando persiste numa tarefa que lhe custa, merece que eu repare, mesmo que demore. Quando dá um pequeno passo numa área que lhe é difícil, merece ser celebrado.

Porque o que celebramos é o que eles vão repetir.

Se celebro apenas os resultados, ensino-os a valorizar apenas o que conseguem. Se celebro o esforço e o processo, ensino-os a valorizar o crescimento e a não terem medo de tentar mesmo quando podem falhar.


Nenhum destes hábitos é perfeito. Há dias em que falho num, ou em vários.

Mas o que aprendi é que não precisamos de ser perfeitas para construir uma relação forte com os nossos filhos. Precisamos de ser intencionais. De fazer escolhas conscientes, todos os dias, que digam a cada filho: és importante para mim. Vejo-te. Estou aqui.

É isso que fortalece os laços. Não os grandes gestos. Os pequenos, repetidos, com amor.


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