Filhos adolescentes: descobre a relação que te permite orientar
Há uns dias, uma mãe dizia-me que sentia dificuldade em lidar com a filha adolescente. Não era apenas uma questão de comportamentos. Era a relação. A distância. A sensação de já não saber como chegar até ela.
E isto é mais
comum do que parece. Muitos pais sentem que, de repente, aquilo que antes
funcionava deixa de funcionar. O filho que antes ouvia, agora questiona. O
filho que antes partilhava, agora fecha-se. O filho que antes aceitava, agora
confronta. E a tendência é interpretar tudo isto como desafio, rebeldia ou
afastamento. Mas talvez não seja isso.
Antes de mais é
importante compreender o que é a adolescência. A adolescência é, acima de tudo,
um período de transição. É uma etapa da vida em que os nossos filhos já não são
crianças, mas também ainda não são adultos. E isso cria uma tensão interna
difícil de gerir.
Por um lado, os
adolescentes querem autonomia, querem decidir, experimentar, fazer sozinhos.
Por outro, ainda precisam de estrutura, orientação e segurança. Ou seja, querem
afastar-se… mas também querem saber que estamos lá.
E é aqui que
muitos pais se perdem. Tentam controlar mais, quando o que os adolescentes
precisam é de espaço. Ou afastam-se demasiado, quando os adolescentes ainda
precisam de retaguarda.
Os adolescentes
precisam de pais que não os prendam… mas que também não os larguem. Na verdade,
nesta fase o nosso papel muda. Deixamos de ser apenas quem protege e passamos
(mais do que nunca) a ser quem orienta. Como um farol. Não controlamos o
caminho. Mas ajudamos a iluminar.
Questionar
Uma das coisas
que mais faz os pais sentirem-se apreensivos é o facto de os adolescentes
começarem a questionar. Questionam regras, valores, decisões. E isto, muitas
vezes, é interpretado como falta de respeito ou desafio.
Mas na verdade,
é um sinal de crescimento.
Para que possa
assumir os valores como seus, os adolescentes precisam de os questionar.
Precisam de testar, de duvidar, de reconstruir. Não para rejeitar os pais, mas
para perceberem quem são. E se não compreendemos isto, entramos em confronto
constante. Se compreendemos, conseguimos orientar.
Emoções
Nesta fase, há uma
intensidade emocional muito grande. Os adolescentes sentem muito, e muitas
vezes, emoções contrárias, ao mesmo tempo. Mas nem sempre sabem o que fazer com
o que sentem ou como explicar o que se passa dentro deles. Por isso, mais do
que corrigir, precisam de alguém:
- que os ajude a compreender
- que os escute antes de responde
- que procure entender antes de julgar
- que ajude a dar sentido ao que estão a viver
Ridicularizar,
minimizar ou desvalorizar aquilo que sente não aproxima. Afasta. Mas também não
basta apenas validar. Os adolescentes precisam de alguém que os ajudem a ir
mais longe. Que os ajudem a pensar, a refletir, a perceber consequências, a
crescer.
Este equilíbrio
entre acolher e orientar é exigente. Exige relação. Porque na adolescência, a
influência dos pais já não vem da autoridade. Vem da ligação. E se não há
relação, não há espaço para orientar.
Liberdade
Nesta fase, os nossos
filhos já têm mais capacidade para lidar com a sua responsabilidade. Precisam
de experimentar, de tomar decisões, de errar e de aprender com isso.
Mas não
sozinhos. Com orientação. Com presença. Com uma retaguarda segura que os impede
de se perderem completamente, mas que não lhes retire a oportunidade de
crescer. É neste equilíbrio que a confiança se constrói. E talvez uma das
ideias mais importantes de todas seja esta: precisamos de ser mais
compreensivos do que o mundo.
O mundo vai
exigir, julgar, pressionar. Se em casa encontram o mesmo, fecham-se. Se em casa
encontram compreensão, firmeza e orientação, mantêm-se ligados. E essa ligação
é o que nos permite continuar a orientar.
Se sentes que a relação com o teu filho adolescente está mais difícil, talvez não te falte intenção. Talvez te falte clareza sobre como te posicionares nesta fase.
Convido-te para uma conversa tranquila onde olhamos exatamente para isso. Para a tua realidade, para a dinâmica com os teus filhos e para a forma como podes orientar sem perder a relação.
Porque na
adolescência, mais do que nunca, não se trata de controlar.
Trata-se de
saber estar presente… da forma certa.



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