Duas casas, o mesmo problema


Em casa da Marta, são 10h da manhã e já lá vão três discussões.
O mais velho quer continuar o jogo que começou ontem; tem um plano, uma estratégia, e não gosta nada de ser interrompido a meio. A mais nova quer ir à praia, agora, porque foi isso que a mãe prometeu "logo de manhã"; e para ela, logo de manhã já passou há vinte minutos. Ninguém cede. Ninguém está a ser mal-educado. Estão só a defender aquilo que, para cada um, faz sentido.
A Marta grita: "Porque é que nunca estão bem os dois ao mesmo tempo?"

Em casa da Sofia, o cenário é diferente, mas o resultado é parecido.
A filha mais velha passou a manhã toda deitada no sofá, sem vontade de fazer nada; "estou cansada", diz, apesar de ter dormido dez horas. O filho mais novo já perguntou cinco vezes se pode ir para casa do primo, porque ficar em casa "é uma seca". A mais velha sente-se pressionada a "fazer alguma coisa". O mais novo sente-se sufocado por estar parado.
A Sofia respira fundo: "Porque é que não conseguem ficar satisfeitos?"

Duas casas diferentes.
Duas discussões diferentes.
O mesmo verão longo pela frente.

E, no fundo, a mesma pergunta silenciosa que fica no ar depois do jantar: "O que é que eu estou a fazer mal?"
Talvez não seja uma questão de fazer mal. Talvez seja apenas uma questão de compreender que dois filhos, na mesma casa, com as mesmas regras e o mesmo amor, podem precisar de coisas completamente diferentes para se sentirem bem.

Isso não é um problema a resolver. É só algo a compreender.

E em tua casa? Reconheces algum destes dois cenários?

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